Mindfulness associado a melhores níveis de glucose

Investigação sobre os efeitos do mindfulness na saúde cardiovascular regista uma ligação significativa entre um grau mais elevado de atenção plena no quotidiano e uma maior probabilidade de níveis saudáveis de glucose. A análise dos resultados obtidos mostra um menor risco de obesidade e um maior sentido de controlo entre aqueles mais mindful, factor que poderá exercer uma função reguladora.
Por Brown University | Alessandro Gottardo (ilustração)
in Science Daily | 23 de fevereiro de 2016  (ver artigo original)
Os resultados apresentados – embora não provando uma causa, mostram uma associação de fatores – fazem parte de um programa liderado pela Brown University (Providence/EUA) onde investigadores estudam a possibilidade de ações que aumentem o mindfulness poderem melhorar a saúde cardiovascular. As hipóteses que se colocam a nível geral são de que os praticantes mais mindful são mais capazes de se automotivar no sentido do exercício físico e na vontade para resistir a alimentos com alto teor de gordura e açúcar, mantendo-se mais facilmente fieis a regimes de dieta e exercício físico recomendados pelos seus médicos.
Os cientistas procuraram, assim, identificar fatores capazes de explicar a ligação verificada entre mais mindfulness e níveis de glucose mais saudáveis. A análise dos dados mostrou que o risco de obesidade (gente mindful é menos propensa a ser obesa) e o sentido de controlo (pessoas mindful são mais dadas a acreditar serem capazes de alterar fatores importantes da sua vida) contribuem ambos para este vínculo.
“Este estudo demonstrou uma ligação significativa entre mindfulness disposicional e a regulação da glucose, tendo fornecido novas evidências de que a obesidade e o sentido de controlo podem servir como potenciais mediadores desta associação”, escreveram os autores da investigação, liderada pelo dr. Eric Loucks, professor-assistente de epidemiologia na Brown University School of Public Health. “Uma vez que o mindfulness é como uma qualidade modificável, este estudo fornece indícios preliminares para determinar de forma bastante inovadora um potencial risco de diabetes, disse”
O estudo, publicado no American Journal of Health Behavior, não mostrou uma ligação direta estatisticamente significativa entre mindfulness e o risco de diabetes tipo 2 – principal preocupação no que se refere a uma elevada taxa de açúcar no sangue. Os participantes com nível elevado de mindfulness tinham 20% menos possibilidades de vir a contrair diabetes tipo 2; no entanto, o número total de participantes no estudo nessas condições poderá ter sido demasiado pequeno por forma a permitir uma conclusão definitiva, disse o dr. Loucks.
Medir mindfulness, monitorar a glucose
A equipa do dr. Loucks recolheu os seus dados a partir de 399 voluntários, todos eles participantes no “New England Family Study”. Os indivíduos foram sujeitos a uma série de testes psicológicos e fisiológicos, incluindo testes de glucose e ao “Mindful Attention Awareness Scale (MAAS)”, um questionário com 15 itens para avaliar as propriedades psicométricas de mindfulness disposicional, numa escala de 1 a 7. Foram ainda recolhidos dados demográficos e de saúde potencialmente relevantes, como índice de massa corporal, tabagismo, nível académico, depressão, tensão arterial, stress e capacidade de controlo emocional.
Após uma ponderação dos dados a fatores tão diversos como idade, sexo, raça, etnia, histórico familiar de diabetes e estatuto socioeconómico na infância, os investigadores descobriram que as pessoas com uma pontuação entre 6-7 na escala de MAAS eram 35% mais propensas a terem níveis saudáveis de glucose no sangue – abaixo de 100 mg/dL – do que aquelas com valores abaixo de 4.
A análise dos dados mostrou que o fator obesidade contribuiu com três pontos percentuais no total dos 35% de diferença de risco; a capacidade de controlo contabilizou oito pontos percentuais; e os restantes 24% podem ter resultado de fatores não mensurados pelo estudo. Finalmente, os cientistas começam agora a trabalhar no sentido de esclarecer possíveis mecanismos de associação entre mindfulness e regulação da glucose.
“Não tem havido, praticamente, estudos de investigação de observação epidemiológica sobre a relação do mindfulness com a diabetes ou com qualquer outro fator de risco cardiovascular”, disse o dr. Loucks. “Este é um dos primeiros. Isto é apenas um sinal. Espero ardentemente vê-lo replicado numa escala mais alargada, assim como em novos estudo prospetivos”, afirmou o investigador.
Tradução de Raul C. Gonçalves

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