A meditação é eficaz nos casos de depressão e de ansiedade?

Pergunta: Sinto-me ansiosa e deprimida. A meditação pode mesmo ajudar-me?
Resposta: A depressão e a ansiedade podem tornar a nossa vida tremendamente difícil. Um facto inegável. E a investigação nesta área sugere que hábitos de vida saudável, como a meditação, pode ajudar a combater alguns dos seus sintomas.

Por Allison Fox
in The Huffington Post  ver artigo original

Segundo um estudo publicado no início deste ano pela revista científica Psychiatry Research, 70 adultos com problemas de ansiedade foram divididos aleatoriamente em dois grupos; ao primeiro (grupo experimental), foram ensinadas técnicas de redução de stress baseadas em mindfulness; o segundo (grupo de controlo) não recebeu qualquer treino de meditação.

Os investigadores descobriram que os participantes do primeiro grupo apresentaram níveis muito mais baixos de um determinado biomarcador de stress. Este facto pode sugerir que a meditação não apenas ajuda a como o indivíduo se vai sentindo ao longo do tempo, mas que tal pode deixar igualmente uma marca a nível celular.

Este facto parece vir corroborar uma grande parte da investigação sobre meditação, a qual sugere esta prática como sendo particularmente eficaz em questões de saúde mental. No entanto, importa ter presente que estudos anteriores apresentavam também algumas fraquezas. Em alguns dos primeiros trabalhos faltavam grupos de controlo; outros, mostraram ser vítimas do “efeito condicionamento”, o qual acontece quando, à partida,  o participante já espera que a meditação resulte, reportando consequentemente melhoras após a experiência.

O estudo publicado pelo Psychiatry Research teve em conta todos estes factores, razão por que parece ser tão prometedor. Para ultrapassar qualquer condicionamento, os investigadores apenas informaram os voluntários que a temático do estudo era redução de stress, sem qualquer menção à componente meditação, tendo o mindfulness sido introduzido apenas mais tarde junto do grupo experimental. Desta forma, foi possível separar a meditação enquanto elemento activo, revelou Elizabeth Hoge, coordenadora do estudo e professora de psiquiatria na Universidade de Georgetown.

COMO FAZER?

Segundo a dra. Hoge, tudo se resume aos nossos pensamentos. Comece por se sentar num local tranquilo, focando a atenção na respiração. Os pensamentos irão inevitavelmente surgir, porém a resposta não está em tentar afastá-los ou desistir. Se, por exemplo, quando estiver a meditar começar a ruminar num acontecimento importante que correu mal ou num medo sem explicação aparente, note o que está a acontecer e não se deixe levar pela frustração. Os pensamentos não irão desaparecer, mas, com o tempo, aprendemos a criar um distanciamento em relação a eles, explica Hoge.

“A meditação mindfulness baseia-se no princípio de focar a atenção na nossa própria experiência interna, seja ela constituída por pensamentos, sensações ou emoções”, acrescenta. “Tudo o que vem à mente constitui um estímulo interno de foco de atenção”.

O objetivo é aprender a criar um espaço temporal entre os pensamentos negativos e as nossas reacções. E isso consegue-se com prática.

“Observá-los enquanto factores distintos de mim”, diz Hoge. “‘Os meus pensamentos não são eu’. Isto permite um espaço de separação, dando à pessoa um pouco mais de liberdade de como lidar com os pensamentos”.

UM PEQUENO DETALHE

A prática da meditação traz, sem dúvida, grandes vantagens ao nível da saúde mental. No entanto, nos casos comprovados de ansiedade e depressão, a meditação deve ser considerada como parte de um tratamento mais abrangente, como a psicoterapia, defende a psicóloga nova-iorquina Chloe Carmichael. Especialista no tratamento da ansiedade e da depressão, Carmichael usa uma mistura de meditação mindfulness e psicologia clássica no tratamento dos seus pacientes.

“Quando nos sentamos para seguir simplesmente a respiração, estamos a fazer meditação mindfulness. Trata-se de um dos primeiros passos da aprendizagem de como seguir os nossos pensamentos”, diz Carmichael. Uma vez adquirida a consciência sobre o que são pensamentos, conseguimos então observá-los sem estarmos em reacção.”

A depressão tem a tendência para fazer a pessoa ver-se como alguém com pouco valor, o que leva à situação de ruminação em torno dessa ideia negativa. A pessoa que sofre de ansiedade é dada, por sua vez, a um excesso de preocupação. E, embora, a meditação possa constituir uma ferramenta de ajuda na observação deste tipo de pensamentos, cabe à medicina especializada providenciar os métodos capazes de ajudar o paciente a ultrapassá-los, explica a psicóloga.

“Tratando-se de um dos pilares da terapia cognitiva comportamental: analisar os pensamentos automáticos, as duas técnicas – psicologia e meditação mindfulness – funcionam muito bem integradas”, disse.

Em última análise, a implementação do mindfulness no tratamento da ansiedade e da depressão pode ter um impacto muito positivo, afirma Sharon Salzburg, professora de meditação e autora do livro Real Happiness: The Power of Meditation: A 28 Day Program.

“Tentamos várias abordagens no sentido de aliviar o sofrimento. Devemos saudar qualquer método (ou mistura de métodos) capaz de ajudar”.
Algo sobre o qual podemos meditar.

  • Tradução para português por Mindmatters

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