Analista do Banco da Inglaterra quer usar mindfulness para aumentar a felicidade com menos consumismo

Por Olivia Goldhill
in Quartz | 8 de maio de 2016  Ver artigo original
A economia, diz-se, tem tudo a ver com consumo. Mas e se houver uma forma de consumirmos menos ao mesmo tempo que aumentamos o nosso bem-estar? É esta a questão que coloca Dan Dixon, um analista do Banco de Inglaterra, o qual acredita que o mindfulness pode transformar o consumo e alterar profundamente princípios básicos da economia.
Através de um post no Bank Underground, um blog oficioso dos trabalhadores do Banco de Inglaterra, Dan Dixon expõe a sua teoria de “menos é mais”. As teorias tradicionais de economia, salienta Dixon, “assumem que mais consumo significa mais felicidade”. Elas veem o “homem economicista” como “um ser que deseja possuir riqueza”. E, no entanto, no mundo real, uma pessoa rica não é necessariamente feliz.
Dan Dixon realça que tem sido verificado que a partir da meditação budista mindfulness – a qual implica o reconhecimento consciente de pensamentos e emoções, embora reconhecendo a sua transitoriedade – que ela reduz o desejo e a compulsão de consumo, ao mesmo tempo que aumenta a sensação subjetiva de bem-estar. Facto que desmonta aquilo que é geralmente assumido como economicamente desejável.
“Isto sugere que o mindfulness é capaz de cultivar uma forte percepção do indivíduo ter ‘o suficiente’, em vez de desejar sempre por mais. Ao nível microeconómico, a teoria do ’menos é mais’ contraria o conceito básico de que, a partir de determinados mínimos, a satisfação aumenta com o consumo. O seu alcance é profundo”, escreveu Dixon.
Tudo isto é particularmente relevante, salienta Dixon, dada as probabilidades atuais de uma estagnação a nível económico:
“São muitos os que concordam que a perspectiva de longos períodos de estagnação são não só motivo de grande preocupação mas uma verdadeira ameaça às economias mais avançadas nas próximas décadas. Assim, e sendo este o mundo em que vivemos, uma maior atenção a este fenómeno acabará por encontrar formas alternativas de como aumentar o bem-estar; a ideia do ‘menos é mais’ pode ser parte da solução.”
Dan Dixon argumenta ainda que o mindfulness pode trazer também benefícios à economia do ambiente, uma vez que conduz a comportamentos ecologicamente sustentáveis, sem com isso limitar decisões pessoais ou o bem-estar individual.

Tudo isto parece simplista, mas se o mindfulness conseguisse de facto nos deixar mais felizes ao mesmo tempo que gastamos menos, isso poderia transformar as nossas premissas sobre como deve funcionar a economia. “As consequências positivas para a economia seriam de enorme alcance”, disse Dan Dixon.
Tradução de Raul C. Gonçalves

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