Escola substitui castigos por meditação e resultados são impressionantes

Por James Gaines
in Upworthy | 22 de setembro de 2016  ver artigo original
Imagine que trabalha numa escola e que uma das crianças se porta mal. O que é que você faz? A resposta mais habitual seria colocar o “diabinho” de castigo.
Mas, segundo me lembro, estar de castigo prende-se com ficar virado para a parede, aborrecido, tentar falar sub-repticiamente com os colegas sem ser apanhado ou tentar ler uma revista às escondidas. Se o castigo foi imaginado para me fazer pensar sobre as minhas acções, falhou rotundamente. A única coisa que conseguiu foi fazer com que tudo parecesse estúpido e injusto.
Escola faz diferente: oferece meditação
Em vez de colocar de castigo as crianças mal-comportadas ou de as mandar para o gabinete do director, a escola primária Robert W. Coleman Elementary, de Baltimore,  imaginou uma coisa chamada Sala de Momento Mindful.
Em nada esta sala se parece com as tradicionais e sombrias salas de castigo. Pelo contrário, é bem iluminada e está decorada com almofadas roxas de veludo. A criança é encorajada a ir se sentar na sala e a fazer práticas de respiração e de meditação, com o objetivo de se acalmar e de se reequilibrar. E é-lhe pedido também que fale sobre o que aconteceu.
Meditação é, cientificamente, muito interessante
A meditação da atenção plena está presente, de uma maneira ou de outra, há milhares de anos. No entanto, só recentemente a ciência começou a olhar para os seus efeitos sobre a nossa mente e corpo, tendo descoberto alguns efeitos interessantes.
Um desses estudos sugere que a meditação mindful pode fornecer aos praticantes com ligações às forças armadas uma espécie de armadura mental contra emoções traumáticas, além de poder também aprimorar a memória. Um outro estudo aponta para que ela possa melhorar a nossa capacidade de atenção e concentração.
Cada estudo deve ser considerado com cuidado – os resultados nem sempre se ajustam a todas as situações -, mas, de uma forma geral, a ciência está a começar a ter um panorama bastante interessante sobre a importância que pode vir a ter a meditação. Particularmente o mindfulness já começou a fazer parte – e com bastante sucesso – de algumas psicoterapias.
Sala Mindful não é a única oferta da escola
A sala de meditação foi criada em parceria com a Fundação Holistic Life, uma sociedade local sem fins lucrativos igualmente responsável por outros programas. Há mais de dez anos que esta fundação vem oferecendo o programa pós-horário “Holistic Me”, onde crianças desde a pré-primária até ao 5º ano praticam yoga e mindfulness.
“É espantoso”, refere Kirk Philips, coordenador do “Holistic Me” na escola Robert W. Coleman Elementary. “Ninguém diria que crianças tão pequenas seriam capazes de meditar em silêncio. Mas elas fazem-no”, disse.
Aconteceu numa festa de natal de as crianças ficarem à espera de fazer primeiro a meditação, apesar de saberem que iam receber presentes.
“Para uma criança deve ser difícil sentar para meditar sabendo que vai receber um saco de presentes, mas elas conseguiram! Foi lindo, todos nós sorríamos uns para os outros enquanto as abservávamos”, disse Philips.
No número de agosto 2016 da Oprah Magazine, Andres Gonzalez, co-fundador da Fundação Holistic Life, disse: “Tivemos pais que nos disseram ‘no outro dia cheguei exausta a casa e a minha filha disse-me: “Mamã, senta-te, vou-te ensinar a como respirar.”’”
Programa ensina meio-ambiente
As crianças ajudam a limpar parques, a fazer jardins e visitam quintas das redondezas. Philips disse que até as ensinam a ser co-professores, deixando-as dirigir as sessões de yoga.
E não se trata tão só de uma experiência isolada, de uma única escola. Vários estabelecimentos de ensino estão a experimentar este tipo de abordagem holística, a qual está a produzir resultados incríveis.
No Reino Unido, por exemplo, o Mindfulness in Schools Project (Projeto Mindfulness na Escola) está a ensinar adultos a como montar os programas. Mindful Schools (Escolas Mindful), uma outra organização sem fins lucrativos, tem estado a ajudar a montar um programa idêntico nos Estados Unidos da América.
Resultados palpáveis
Segundo Kirk Philips, desde o ano passado e até ao momento houve zero suspensões na Robert W. Coleman Elementary. Ali perto, a escola secundária Patterson Park High School, que também utiliza os programas de mindfulness, disse que as taxas de suspensão de alunos caíram, ao mesmo tempo que as de frequência às aulas aumentaram.
Tudo isto se deve às práticas mindfulness? Esta é uma pergunta para a qual é impossível dar uma resposta, mas sem dúvida que os números que temos presentes são verdadeiramente notáveis.
Tradução de Raul C. Gonçalves

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