Como pode o mindfulness ajudar na dor crónica?

Mais de 100 milhões de adultos nos Estados Unidos sofrem de dor crónica. Depois de ler um artigo da Dra. Christiane Wolf*, fui ter com ela para saber mais.
Por Stephanie Weaver
In The Huffington Post | 17 de junho de 2015
De acordo com o seu artigo, a dor crónica é um mau funcionamento da evolução. O que quer dizer com isso?
Essa é a minha teoria decorrente da observação da dor crónica. A dor aguda é importante: ela alerta o cérebro de que há perigo. Mas na dor crónica não existe um sistema separado. Ela alerta continuamente o cérebro de que há alguma coisa errada e, no entanto, ela nunca para. Não há nenhuma maneira de a acalmar.
A prática de mindfulness ajuda a reduzir a dor ou a lidar melhor com a dor?
Ambas as coisas. O mindfulness pode ajudar a reduzir a dor porque remove a preocupação com ela, o que constitui uma outra camada. Tensão emocional e mental podem potenciar a dor física. Tenho visto casos de dor crónica desaparecerem via mindfulness. Nos casos de dor sistémica com causa conhecida, o mindfulness ajuda as pessoas a lidar melhor com ela. Quando as pessoas avaliam a sua qualidade de vida pós-cursos de mindfulness, o nível da pontuação em relação aos itens de felicidade, satisfação com a vida e, muitas vezes, atividade aumenta, embora a dor objetiva não se tenha alterado. Uma aluna disse-me uma vez: “Antes, eu era a minha dor. Agora, eu sou muito mais do que isso.”
Pode-me explicar a frase “o sofrimento é opcional”? Acho dos ditados mais controversos do budismo, porque ele implica que eu quero estar em sofrimento.
Não gosto desse ditado porque ele é confuso. Prefiro pensar nisso nos moldes da equação de Shinzen Young: sofrimento = dor x preocupação.
Normalmente, equiparamos dor com sofrimento. Mas dor e sofrimento são duas coisas distintas. Ninguém gosta de dor. Mas só porque uma coisa é desagradável não quer dizer que tenhamos que sofrer ou reagir contra ela. Pense numa altura em que sentiu dor, mas onde o sofrimento não esteve envolvido, como quando fez uma tatuagem ou deu à luz. Se colocarmos o que nos está a acontecer numa perspectiva diferente, passamos de repente a conseguir suportar a dor. No início, é um pouco como um jogo mental. Mas quando os alunos de mindfulness observam e começam a investigar a sua própria experiência, as coisas começam a mudar.
No seu artigo fala sobre separar as nossas experiências de dor em três componentes: a sensação física, as emoções que sentimos sobre ela e o significado que a dor tem para nós…
Quando dividimos a dor por partes, isso ajuda-nos a torná-la mais manejável. Trabalhamos onde o sofrimento é maior.
Vamos começar pela sensação física de dor. Como é que o mindfulness lida com isso?
Começamos por observar que a dor física está separada das emoções que sentimos sobre ela; descrevemos as sensações; damos-lhe um rótulo. É essa consciência que é útil.
E as emoções envolvidas?
Raramente olhamos para como nos sentimos em relação à dor. Que emoção lhe está ligada? Sentimo-nos tristes, irritados, etc.?
E, finalmente, o significado da dor? Sinto-me particularmente próxima deste ponto, porque eu própria sinto receio de futuras enxaquecas.
Muito do sofrimento reside, frequentemente, na ficção que contamos a nós próprios. Será que você anda com essa história às voltas na cabeça, e estará isso a fazê-la pior? Podemos estar presos a um acontecimento no passado, como, por exemplo, ‘aquela cirurgia ou aquele acidente marcou-me’; ou podemos estar obcecados sobre o futuro: ‘porque nestas condições, nunca vou conseguir fazer…’ O mindfulness trá-lo de volta ao momento presente. Em vez de ficar a ruminar ou a ensaiar situações, esteja presente e veja como, no fundo, se sente.
Aonde procurar para se saber mais sobre o uso da prática de mindfulness para lidar com a dor crónica?
É muito difícil começar a praticar mindfulness sem um professor. Portanto, procurar um local próximo onde ensinem MBSR é a primeira aproximação. Gosto do livro Living Well with Pain & Illness, de Vidyamala Birch, sobre um programa de oito semanas chamado “Breathworks” que pode ajudar. Ou tentar uma gravação de uma meditação guiada.
De que forma a prática de mindfulness mudou-a?
Eu sou médica de formação, mas atualmente ensino mindfulness a tempo inteiro. Penso que só isto diz muito. Como médica fiquei impressionada em como a prática de mindfulness é capaz de reduzir o sofrimento a todos os níveis. Como clínica o meu trabalho era “reparar” pessoas. Como instrutora de mindfulness dou-lhes ferramentas para se curarem. É uma grande diferença.
*Christiane Wolf, M.D. e Ph.D, é co-autora do livro “The Clinician’s Guide to Teaching Mindfulness”.
http://www.huffingtonpost.com/stephanie-weaver/how-can-mindfulness-help-_b_7598620.html

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