Estudo mostra que mindfulness pode ajudar na prevenção da obesidade infantil

Mindfulness pode ser uma forma eficaz para ajudar as crianças a evitar a obesidade. Uma nova pesquisa, publicada na revista científica digital ‘Heliyon’, indica que o equilíbrio nas redes neurais em crianças obesas é diferente quando comparado com crianças com peso saudável, fazendo com que as primeiras sejam mais propensas ao excesso alimentar.
in Science Daily | 21 de janeiro de 2016  ver artigo original
A perda de peso de forma consistente e duradoura é uma coisa difícil de atingir; a razão pode estar ligada ao facto de isso obrigar a mudanças na forma de funcionamento do cérebro, em simultâneo com alterações na dieta alimentar e nos hábitos de exercício físico. Os autores deste estudo, da Faculdade de Medicina da Universidade de Vanderbilt, no Tennessee, Estados Unidos, defendem que a identificação precoce de crianças em risco de obesidade e uma aproximação ao controlo alimentar através de mindfulness pode ser uma forma de abordagem ao controlo do peso.
O mindfulness tem dado mostras de aumentar a inibição e diminuir a impulsividade. Uma vez que a obesidade e os comportamentos alimentares não saudáveis podem ser associados a um desiquilíbrio entre as ligações no cérebro responsáveis pelo controlo de inibições e impulsos, os investigadores defendem que o mindfulness pode ajudar no tratamento e na prevenção da obesidade infantil.
“Sabemos que o cérebro tem um papel importante na obesidade dos adultos, mas os nossos conhecimentos sobre as ligações neurológicas associadas à obesidade podem não ser aplicáveis às crianças”, explica a coordenadora do estudo, BettyAnn Chodkowski. “Quisemos olhar mais detalhadamente para a forma de funcionamento do cérebro da criança, por forma a percebermos melhor o que acontece neurologicamente nas crianças que sofrem de obesidade”, disse.
BettyAnn Chodkowski, conjuntamente com os seus mentores Ronald Cowan e Kevin Niswender, definiram três áreas do cérebro que poderão estar ligadas ao peso e aos hábitos alimentares: o lobolo parietal inferior, associado à inibição, a capacidade de superar uma resposta automática (neste caso, comer); o polo frontal, associado à impulsividade; e o núcleo accumbens, associado à recompensa. Os cientistas utilizaram dados recolhidos pelo “Enhanced Nathan Kline Institute – Rockland Sample” de 38 crianças com idades compreendidas entre os 8 e os 13 anos. Cinco das crianças foram classificadas obesas e outras seis como tendo peso a mais. Os dados incluíam o peso das crianças e as respectivas respostas ao “Questionário sobre Comportamento Alimentar Infantil”, o qual descreve os hábitos alimentares das crianças. Foram ainda utilizadas imagens computadorizadas MRI para mostrar o funcionamento das três regiões do cérebro alvo do estudo.
Os resultados revelaram uma relação preliminar entre peso, comportamento alimentar e equilíbrio no funcionamento do cérebro. Nas crianças com comportamentos que as levavam a ingerir mais alimentos, a parte do cérebro associada à impulsividade aparentava estar mais fortemente ligada do que a parte do cérebro associada à inibição.
Ao inverso, nas crianças com comportamentos que as ajudavam a evitar a comida, a parte do cérebro associada à inibição tinha mais ligações comparativamente à parte do cérebro associada ao comportamento impulsivo.
“Os adultos e, especialmente, as crianças estão preparados para comer mais. O que é muito positivo, do ponto de vista evolucionário – a comida é necessária ao nosso desenvolvimento e sobrevivência. Mas no mundo de hoje, com o fácil acesso à comida, a influência da publicidade e os alimentos altamente calóricos, tudo isto conjugado, está a colocar as crianças em risco de obesidade”, afirma o dr. Niswendar.
“Acreditamos que o mindfulness pode reajustar o equilíbrio nas ligações neurais associadas à obesidade infantil”, declarou o dr. Cowan. “O mindfulness tem produzido resultados variáveis em adultos, mas até agora são poucos os estudos sobre a sua eficácia na perda de peso em crianças”, disse.
Tradução de Raul C. Gonçalves

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