Mindfulness é um grande negócio na City londrina

Os seus defensores dizem que a meditação mindful foca a mente aumentando a concentração e, consequentemente, a produtividade. No entanto, tem vindo a ser criticada por abandonar as suas premissas espirituais em favor do lucro secular.
Por Siobhan Norton | Getty Images (ilustração)
in Independent | 14 de março de 2015  (ver artigo original)
Por favor, sirva-se de uma uva-passa. Não, não de uma mão cheia, apenas uma. Espere… não a coma. Sinta o seu peso na sua mão. Aperte-a, gentilmente, entre o indicador e o polegar. Repare na sua superfície lustrosa, note a sua textura irregular. Agora, leve-a à boca. Não a trinque já. Faça-a rolar pela sua língua. Qual é o seu sabor? Agora, dê-lhe uma pequena dentada. Sinta o seu sabor a invadir o seu palato. Essa sensação, é agradável ou desagradável? Traz-lhe à memória alguma recordação? Agora, pode mastigá-la… e engoli-la. Sinta-a mover-se até ao seu estômago…
Esta é uma das coisas mais estranhas com que se irá deparar se embarcar num curso de mindfulness. Em poucas palavras, resume todo o conceito: relaxar, atenção ao ‘agora’, experienciar o momento presente. Embora se possa imaginar que uma sala cheia de gente sentada a olhar fixamente uma uva-passa deve significar mais qualquer coisa, o alcance atual do mindfulness estende-se muito para além de qualquer remoto templo budista. Génios da tecnologia caminham através deste labirinto em Silicon Valley, líderes mundiais atropelam-se por um lugar sentado de pernas cruzadas em conferências internacionais e, até na ‘City’, os banqueiros estão a dar ‘um tempo’.
Tudo isto está muito longe do “almoçar é para os fracos”, do personagem Gordon Gekkoesque, no filme “Wall Street”, a ideia que normalmente fazemos dos que trabalham no sector financeiro. Ouvimos mais falar sobre pessoas que dependem da cocaína ou do Red Bull do que de exercícios cognitivos. Porém está a tornar-se cada vez mais mainstream, é até mesmo encorajado na banca de investimento de topo, havendo muitos a oferecer cursos e retiros de mindfulness: Goldman Sachs, Barclays e JP Morgan são apenas alguns dos nomes a investir nesta área.
Faz sentido que o mundo frenético empresarial deva virar-se para o mindfulness. Existe um provérbio zen que diz: deves sentar-te em meditação todos os dias durante 20 minutos – a menos que estejas muito ocupado. Nesse caso, deves sentar-te uma hora. Vamos dizer que o leitor pinta paisagens como forma de vida – estará frequentemente “presente ao momento”; mas, já não será o caso, se for do tipo que checa o e-mail centenas de vezes ao dia.
É claro que estas grandes corporações não se tornaram subitamente acolhedoras e etéreas – a razão é porque tudo isto faz sentido do ponto de vista financeiro. Menos stress e ansiedade no local de trabalho significa menos absentismo. Os seus defensores afirmam que a meditação mindful faz focar a mente e aumenta a concentração, aumentando, consequentemente, a produtividade. As lideranças – dizem -, ganham empatia e paciência, resultando isso em equipas mais felizes.
Tudo isto parece ser uma aposta vencedora… mas, esteja ou não em ascensão, o mindfulness está a deixar um sabor amargo em muitas bocas. Ele tem vindo a ser criticado por abandonar as suas premissas espirituais em favor do lucro secular, rotulado de moda pseudo-psicológica. Quanto a ser uma moda, não existem dúvidas em relação a isso. Revistas de moda dão conselhos sobre comer mindful, colunas sobre saúde lembram-nos de ter momentos mindful. Celebridades mencionam, como por acaso, em entrevistas os seus gurus mindfulness. Sadie Frost fá-lo; Oprah fá-lo; Gwyneth fá-lo ainda mais. Podemos mexer-nos mindfully, viajar mindfully, até ir mindfully à casa de banho.
E, no entanto, o mindfulness tem vindo a ser cada vez mais reconhecido pela ciência. Embora tenha as suas raízes no budismo, o mindfulness secular despiu-se de muito do seu lado espiritual para se focar no aspeto científico. Em 1979, Jon Kabat-Zinn introduziu o curso de Redução de Stress Baseado em Mindfulness (MBST, sigla em inglês) na Universidade de Massachusetts para o tratamento de doenças crónicas. Atualmente, o mindfulness é usado em todo o mundo por psicólogos e médicos.
Existem, atualmente, mestrados em mindfulness no Reino Unido e experiências-piloto em escolas, organismos públicos, sistema prisional e para pessoas desempregadas. Variadíssimos estudos indicam que o mindfulness diminui o stress, faz bem ao coração e é capaz de minorar os sintomas da síndrome do cólon irritável (SCI) e de doenças de pele como a psoríase. Os “marine” norte-americanos usam-no no tratamento de casos de perturbação de stress pós-traumático (PSPT); nas prisões, o mindfulness pode ajudar a reduzir a violência; e nas escolas, pode travar o problema crescente da ansiedade entre a população estudantil.
O deputado trabalhista Chris Ruane descobriu o mindfulness ao tempo em que trabalhava como professor. “Descobri que ajudava ao nível da concentração dos meus alunos e para conseguir voltar a ganhar a atenção deles depois do período do almoço. Usámo-lo até para melhorar a escrita criativa”, disse. Chris Ruane manteve a sua ligação ao mindfulness, agora na sua carreira política, sendo copresidente do Grupo Interparlamentar Sobre Mindfulness no Parlamento Britânico, associado à Mindfulness Initiative. O grupo trabalha junto dos parlamentares e responsáveis políticos no sentido de desenvolver legislação sobre o papel do mindfulness na sociedade britânica. Mais de 100 membros da Casa dos Lordes já completaram cursos de mindfulness.
No entanto, não foi apenas no mundo ocidental que o mindfulness ‘explodiu’. Começou a penetrar na consciência de muitas pessoas juntamente com o movimento de contracultura nos anos 60. Steve Jobs atribuiu uma importância enorme à meditação no seguimento do tempo que passou a viajar pela Índia, referindo como o Zen havia influenciado os seus desígnios. A ascensão a um lugar de destaque da tendência ‘Não Sejas Mau’ levou as empresas tecnológicas a promover programas de bem-estar para os seus trabalhadores, alimentando assim a máquina do mindfulness. A Google oferece internamente um curso chamado Search Inside Yourself ou “autopirataria neural”, tendo até construído um labirinto indoor para a prática do caminhar mindful.
O homem que está por trás do curso da Google, Chad-Meng Tan – que ostenta o título profissional de Jolly Good Fellow – afirma que a meditação faz aumentar a espessura do córtex, diminui a pressão arterial, pode curar a psoríase e, pode até, fazer-nos conseguir uma promoção. Tan ensina técnicas aparentemente simples, tais como fazer uma pausa antes de mandar um e-mail importante ou enviar, silenciosamente, votos de felicidade em relação a colegas tidos como difíceis.
Podemos estar descansados, no entanto, que a avidez ainda é um fator positivo. Existe ainda muito dinheiro a ser ganho com o mindfulness. Rohan Gunatillake, inventou, a partir de Glasgow, uma app de meditação, a Buddhify, a qual se tornou um sucesso internacional. O seu sucedâneo, o Buddhify2, contabilizou seis milhões de minutos de utilização em menos de um ano. A app Headspace, lançada por Andy Puddicombe, um ex-monge de Bristol, vale cerca de 25 milhões de libras, e já foi descarregada em 150 países. Existe ainda um número incalculável de empresas fornecedoras de cursos de mindfulness tanto para pessoas individuais como para empresas.
Alexa Frey e Autumm Totton lançaram o The Mindfulness Project em 2013. As duas conheceram-se enquanto estudavam. Autumm prosseguiu uma exigente carreira em gestão de ativos; a dada altura, contactou Alexa para se conselhar sobre mindfulness, tendo esta começado a ensiná-la via Skype. À medida que foram desenvolvendo a sua amizade, decidiram formar o The Mindfulness Project, combinando as competências empresariais de Autumm com a experiência em mindfulness de Alexa. As suas aulas são frequentadas por gente muito diferente, desde mães recentes até pessoas mais velhas a lidar com doenças ou em processo de luto… e por um largo número de homens e mulheres de negócios.
“A primeira vez que descobri o mindfulness – esses momentos fugazes de pura paz – pensei para comigo: “isto tem que ser divulgado”, conta Alexa. “Praticar meditação mindfulness é como treinar um músculo. A nossa mente tem um modo pré-definido – se a não controlamos, fica um pouco perdida. O mindfulness deixa-nos, por um lado, menos reativos, e mais em contacto com as nossas emoções.”
Ruane está igualmente apaixonado sobre as razões que fazem do mindfulness relevante. “Todos vivemos nesta rotina hedonista que continua cada vez mais rápida. Gastamos dinheiro que não temos, somos flagelados pela praga digital e bombardeados pela publicidade, a qual está preparada para nos deixar infelizes em relação ao que (não) temos”, disse.
Tessa Watt, professora de mindfulness e membro da Mindfulness Initiative, diz que não precisamos apontar ao cume da montanha mais próxima para sermos mindful. Ela é autora de um livro – Mindful London – sobre como conseguir calma no meio urbano. “Há a ‘prática formal’, onde meditamos e nos focamos na respiração – e que é importante praticar com frequência. Mas também podemos aplicar o mindfulness a tudo o que fazemos. Fazer pausas ao longo do dia, como nos transportes públicos ou antes de começar uma refeição. Trata-se de reparar em nós próprios – se vivemos na cidade, podemos usar sons, como uma sirene ou um alarme, para nos ajudar a lembrar a parar”.
À medida que um fluxo de trabalhadores stressados e engravatados desagua da estação de metro de Bank todas as manhãs, é difícil imaginar o que seria necessário acontecer para levar qualquer deles a fazer uma pausa. A questão é exatamente essa, dizem os discípulos do mindfulness. Gordon Gekko afirma que a ganância captura a essência do espírito evolucionista… mas, talvez, seja esta a próxima fase da evolução.
A mente sobrepõe-se à matéria: da alta finança à alta consciência
Simon Abel, gestor financeiro: “Fiquei deprimido com o mundo e com a City em 2005, mas sentia-me totalmente incapaz de fazer qualquer coisa para mudar. Por essa altura, eu trabalhava na City na área da gestão financeira. Sentia-me cada vez mais incomodado e frustrado; foi então que a minha mulher sugeriu, fruto do desespero, que eu fizesse alguma coisa ativa; fui fazer yoga. Isso levou-me a um caminho para um conhecimento mais aprofundado de todos os atributos do yoga – exercitamos os músculos para os cansarmos um pouco, o que permite ao cérebro esquecer o corpo, o que constitui a primeira expressão de desapego.
“No início, o mindfulness parecia destoar completamente da mentalidade da City. Cheguei a um ponto em que deixei de trabalhar por um par de anos, embora continuasse a praticar yoga e meditação. Não acho que o mindfulness não se encaixe com o trabalhar na City; a questão é que a sua prática permite-te estar mais consciente de tudo o que acontece fora da tua esfera pessoal – é todo um mundo de coisas que estão fora do teu controlo. Começas por te aperceber do quão afortunado és – quanto mais gratos formos, mais felizes nos tornamos, mais focados estamos nas nossas intenções sobre o que nos diz o nosso “ser interior”. O meu diz-me que preciso ganhar dinheiro para manter a família, mas, simultaneamente, a procurar um trabalho intelectualmente estimulante e que ajude verdadeiramente as pessoas.
“Há um ano, era para mim claro que tinha que encontrar um trabalho onde pudesse empregar os conhecimentos adquiridos ao longo da minha carreira financeira, mas sendo, simultaneamente, verdadeiro com tudo aquilo que tinha aprendido mais recentemente… e, francamente, nada me ocorria. Um ano mais tarde, eis-me na ClearlySo, a trabalhar na área do crescimento de impactos sociais positivos.
“O mindfulness pode ser usado como uma forma de canalizares as tuas intenções e atingires os teus objetivos. E, claro, o mindfulness ajuda a aumentares os teus níveis de atenção numa questão que tenhas em mãos, o que constitui uma vantagem incalculável em termos de conclusão de um trabalho a tempo e horas e sobre pressão. Simultaneamente, vivemos num mundo extremamente stressante, onde o mindfulness te pode ajudar a encontrar espaço nesse stress. É assim como o espaço entre inspirar e expirar, existe um espaço de tempo em que não estamos a fazer nada. Ser mindful a esse momento pode acrescentar imenso à nossa pessoa: trata-se do nosso espaço. Pessoalmente, tenho encontrado muito mais felicidade a ouvir o que o meu ser interior tem para me dizer do que a me limitar a deixar ir na onda.”
Eva Luterkort, gestora financeira: “Comecei a interessar-me pelo mindfulness há já alguns anos, numa altura em que sentia necessidade de um maior equilíbrio na minha vida. Eu trabalhava, então, num escritório de advogados na City, tinha um horário bastante carregado, e sentia-me geralmente exausta e stressada. Enquanto conceito, o mindfulness era para mim, nessa altura, algo completamente “etéreo”, pelo que senti que, antes de começar a praticar, tinha que ser convencida numa base mais ‘científica’. Após ter lido o livro de Daniel Siegel ‘Mindsight’ e uma série de artigos sobre investigação na área da neuroplasticidade, fiquei fascinada não só pelo poder do efeito que o mindfulness pode ter em relação aos pensamentos, às emoções e ao bem-estar emocional de uma forma geral, mas também pelo efeito físico ao nível do cérebro (o espessamento de algumas membranas, por exemplo, através do estímulo da atividade neural) e do corpo (diminuição da tensão arterial e dos níveis de cortisol, etc.). Decidi, por isso, experimentar, começando por alguns exercícios muito curtos e básicos de mindfulness.
“Mindfulness, para mim, é estar mais centrada, o que me ajuda a colocar as coisas em perspectiva: permite-me dar um passo atrás e concentrar-me no momento presente mesmo quando tudo parece estar frenético; faz-me resiliente e ajuda-me a lidar com o stress; melhora a minha capacidade de concentração e, consequentemente, de conseguir um melhor desempenho; e, finalmente, faz de mim um melhor e mais equilibrado ser humano, com melhor relacionamento com os outros, tanto a nível profissional como na minha vida pessoal.
“Penso que quanto aos benefícios do mindfulness é algo que, agora, a maior parte das grandes instituições da City reconhecem e apoiam. Cada vez mais os empregadores compreendem que só é possível maximizar o potencial dos seus funcionários se estes estiverem a funcionar bem, de forma saudável e resiliente. Os empresários têm vindo há já algum tempo a encorajar a preparação física entre os seus trabalhadores, através do pagamento das mensalidades de ginásios; o próximo passo será apoiar o mindfulness. E do ponto de vista dos negócios, faz todo o sentido.”
Louise Chester, fundadora da Mindfulness at Work, ex-gestora financeira: “Descobri o mindfulness praticamente por acaso. Há cerca de 20 atrás, a minha vizinha do lado pediu-se para usar o telefone. Tinha fechado a porta de casa com as chaves lá dentro e tinha um voo para apanhar… mas, no entanto, parecia tão calma, até mesmo quando eu própria comecei a entrar em stress. Tive que lhe perguntar como é que ela conseguia manter a calma e foi aí que ela me falou sobre mindfulness. Perguntei-lhe se ela poderia me ensinar.
“Comecei a meditar com a ajuda da minha vizinha – ela aconselhou-me a fazer uma prática formal de 45 minutos a uma hora; hoje, sei, que até mesmo dez minutos podem fazer a diferença. Embora eu tivesse dificuldade em encontrar tempo para meditar, rapidamente comecei a sentir que era como se o dia tivesse mais tempo e mais espaço; sentia-me mais à vontade no meu dia-a-dia.
“Sentar numa atmosfera tão intensa de negócios ajudou-me a lidar com um vendaval de informações – a função de análise de investimentos envolve conseguir processar uma quantidade enorme de dados e em apresentar medidas e aconselhamentos sensatos. Descobri que conseguia decidir quando devia estar focada numa extensa folha de cálculo financeiro e quando devia alargar a minha atenção à sessão da bolsa, estava mais presente ao telefone com um cliente, a minha memória melhorou e ficava menos vezes em modo reativo quando se tratava de tomar uma decisão.
“Comecei a ensinar mindfulness a amigos e a familiares e era maravilhoso ver as pessoas a tirarem benefício disso. A Mindfulness at Work, desenvolvida a partir daí, constitui um verdadeiro trabalho de amor. Todos os que estão envolvidos na empresa possuem um passado de executivos empresariais, e todos acreditamos que a única razão porque prosperamos neste mundo se deveu à nossa prática pessoal de mindfulness. O mundo empresarial parece estar agora pronto para este treino – normalmente, só temos lugares vagos em pé sempre que fazemos uma sessão empresarial. Isto não é uma coisa sem importância, trata-se, sim, de desempenho superior através de autoconsciência, autocuidado, lucidez e atenção objetiva. A resposta que obtemos é, invariavelmente, uma fila de gente querendo saber quando podem fazer o nosso curso introdutório de quatro semanas baseado no trabalho.
“O que é mais compensador é observar como o curso ajuda as pessoas, não apenas no seu trabalho mas também na sua vida pessoal. O mindfulness faz-nos perceber que nós não somos os nossos pensamentos, porque somos capazes de parar e notar com abertura de espírito. Mindfulness é amabilidade, sendo a base de tudo a compaixão – connosco e com os outros.
“Nunca se trata de ‘é isto’; após vinte anos, o meu processo pessoal que continua em curso. O mindfulness é para ser aplicado na vida real. É como frequentar um ginásio: o exercício que fazemos ali molda o nosso estado físico, depois mantemos a forma indo pelas escadas em vez de tomarmos o elevador; no final, tudo contribui para nos fazer sentir bem ao longo do dia. O mesmo se passa com os dez minutos diários de prática formal de mindfulness; mantemos ‘a forma’ durante o dia, fazendo pausas enquanto esperamos numa fila ou estamos sentados nos transportes. Isto ajuda-nos a perceber que as opções estão sempre presentes, a cada momento, cabe a nós a responsabilidade de escolher as que são mais acertadas.”

Tradução de Raul C. Gonçalves

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